Saiba tudo sobre a Fertilização In Vitro

Texto publicado no Portal Área M.

Especialista explica como funciona um dos tratamentos mais procurados por casais que sofrem de infertilidade

Para muitos casais que possuem dificuldade para engravidar, recorrer aos modernos métodos de reprodução se tornou uma alternativa. Porém, a maioria dos métodos ainda gera dúvidas quanto a sua segurança e eficácia.

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Entre as opções, a Fertilização In Vitro (FIV) é a mais procurada por mamães e papais que já tentaram outros métodos ou foi constatado que possuem um problema de saúde mais grave para gerar um bebê, como uma lesão tubária, endometriose, distúrbios de esperma ou infertilidade não explicada. “A FIV é um procedimento laboratorial mais técnico, para quadros mais específicos que não podem ser resolvidos com as demais técnicas. Ela pode ser, inclusive, uma alternativa a falhas repetidas no tratamento de inseminação artificial”, explica a Dra. Melissa Cavagnoli, especialista em reprodução assistida do Grupo Huntington.

O processo de uma FIV costuma contar com cinco etapas: a primeira é a estimulação dos ovários com medicamentos, seguida da captação dos óvulos, que será feita via vaginal por meio de punção e sob anestesia geral.

Na próxima fase será realizada a fertilização dos óvulos com os espermatozóides, o que pode ser feito da forma clássica, isto é, os espermatozóides são colocados ao redor dos óvulos e o resultado é avaliado após 19 horas, ou por meio da injeção intra-citoplasmática, na qual o espermatozóide é inserido dentro do óvulo por uma agulha microscópica.

A quarta etapa é a cultura dos embriões, onde os mesmos são mantidos em incubadora por três a seis dias. Por fim, há a transferência dos embriões, que é um processo indolor, porém delicado.

De acordo com Melissa, mulheres por volta dos 35 anos de idade são as que mais buscam pela FIV atualmente em clínicas e hospitais. “Após essa idade começa a haver uma diminuição do potencial reprodutivo feminino. Contudo, grupos mais jovens também se utilizam da técnica, como em quadros de Síndrome dos Ovários Policísticos e endometriose, ou em casos em que o parceiro tem algum problema na saúde fértil”, comenta.

Além da ansiedade para obter sucesso com a fertilização, o medo dos efeitos colaterais é algo que ronda a cabeça de muitos casais. Contudo, segundo a doutora, eles raramente são preocupantes. “Não há contra-indicação, mas o ideal é que sejam feitos alguns exames prévios para avaliar se existe algum risco no uso dos hormônios para induzir o crescimento dos óvulos. Algumas pacientes apresentam, por exemplo, risco elevado de trombose”, explica.

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Mulheres com menos de 35 anos tem até 60% de chance de engravidar com a Fertilização In Vitro. A partir dessa idade as chances diminuem gradativamente

Ainda durante o tratamento, segundo a médica, é preciso que a paciente evite atividades físicas, sobretudo aeróbica. “Durante a estimulação dos óvulos, o ovário aumenta de volume além do que seria o fisiológico e, por isso, existe um risco de torção ovariana durante atividades físicas. Isso pode causar bastante dor e eventualmente necessitar até de um procedimento cirúrgico para reverter o quadro”, explica.

Já o sexo pode ser feito normalmente durante o tratamento, porém, no dia da coleta dos óvulos – em que o marido precisa realizar um espermograma – os especialistas orientam entre dois e cinco dias de abstinência sexual prévia para obter um melhor resultado.

Quando o procedimento ocorre bem, a paciente que engravida precisa manter o uso de algumas medicações por cerca de dois ou três meses. Somente depois das primeiras doze semanas, a gestante é liberada para o pré-natal com seu médico obstetra.

As chances de fertilidade de uma mulher, entretanto, estão diretamente relacionadas com a idade. “O ideal é começar a tentar engravidar antes dos 35 anos, pois mesmo com os tratamentos como a FIV as chances de sucesso são maiores”, orienta Melissa. “A partir dos 40 anos, os índices são bem menores, sendo que o ideal é que o casal não perca tempo e procure logo um especialista”, completa.

No Brasil, o custo de um tratamento de FIV custa, em média, a partir de 15 mil reais. Isso sem contar os gastos com medicação, que vai desde mil até 5 mil reais, dependendo da técnica adotada.

Em alguns hospitais públicos, é possível fazer os procedimentos de forma gratuita, como é o caso do Hospital das Clínicas e do Hospital Perola Byington, em São Paulo. Nestes casos, é preciso atender aos pré-requisitos necessários de cada instituição, além de estar disposto a enfrentar a longa fila de espera, que pode ser de até 3 anos.

Caso opte por uma instituição privada, o ideal é procurar uma clínica ou hospital de confiança. Para isso, vale receber indicações de quem já passou pelo tratamento e pesquisar tudo sobre os locais de sua escolha.

Dra. Melissa Cavagnoli, médica especialista em reprodução assistida do grupo Huntington.